A (não) escolha de um padrinho de casamento

A (não) escolha de um padrinho de casamento

Cada pessoa tem um critério diferente para a escolha dos padrinhos de casamento. Alguns escolhem pela amizade que nutrem, outros pelo presente que possam vir a ganhar. Independente do critério, é muito comum que nesse processo de escolha seja levado em consideração não magoar o outro. E, assim, fazemos uma concessão aqui, outra ali. E, quando nos damos conta, nossos padrinhos foram escolhidos. E aí vem a dúvida, será que somos nós mesmos que escolhemos os nossos padrinhos de casamento?

Escolher um padrinho de casamento não é uma tarefa muito fácil. Todo mundo já parou, um dia, para pensar em quem convidaria para ocupar essa posição especial se fosse casar. É um assunto que volta e meia vem à tona em um relacionamento ou em uma roda de amigos.

Há algum tempo, as pessoas costumavam pensar que o padrinho de casamento tinha a função de aconselhar o casal na vida a dois. Hoje, a escolha de um padrinho está mais ligada à importância que aquela pessoa já possui na sua vida individualmente. Para muitos, escolher um padrinho é uma forma de prestar uma homenagem e reconhecer o quão importante é aquela pessoa em sua vida.

Quando pensamos no assunto, costumamos ter certeza de algumas pessoas que convidaríamos, mas, na mesma intensidade, surge a dúvida de outras. Depois de alguns anos, pensamos no assunto novamente e essas outras continuam lá em aberto. Há quem chegue próximo do casamento e não tenha certeza da escolha que fez.

Pensar no que se levaria em consideração para fazer essa escolha é corriqueiro. O critério pode ser simplesmente os amigos mais próximos ou os mais antigos. Os mais presentes ou os mais intensos. Alguns escolhem pela amizade que nutrem, pela consideração que tem pelo outro ou pelo que já viveram juntos, mesmo que, hoje em dia, a vida tenha tomado rumos diferentes e já não se vejam mais com a mesma frequência.

Seja lá qual for o critério, é muito comum que as pessoas levem em conta tentar não magoar o outro nesse processo de escolha.
“Quero convidar a Bia para ser minha madrinha. Mas se eu convidá-la e não chamar a Renata, tenho certeza que esta ficaria chateada. Nós sempre fomos muito amigas desde a época da faculdade, mas, com o passar do tempo, a Renata se distanciou um pouco da pessoa que me tornei de lá para cá e eu tenho secretamente uma ligação maior com a Bia. Talvez nenhuma das duas nem desconfie disso. Melhor eu convidar as duas ou nenhuma delas.”

“A Paula é minha amiga de infância. Quero que ela faça par com o Raul, meu primo e amigo, mas ela é casada com o Edu e uma amiga minha disse que é feio separar o casal quando eles são casados. Além disso, o Edu é bem ciumento, não gostaria de vê-la entrando com qualquer outro que não seja ele. Eu sei que se eles terminarem, um dia, eu não manterei contato com ele. Nosso único elo é mesmo a Paula. Fico imaginando eu mostrando meu álbum de casamento daqui a alguns anos e alguém perguntando “quem é esse ao lado da Paula?” e eu “Esse!? Hum, acho que é o ex marido dela… Qual é mesmo o seu nome? … Edu, Edu!!””

“A Luisa é uma amiga querida e de quem gosto muito. Ela casou no ano passado e eu fui sua madrinha. Desde que ela soube que vou me casar, age como se também fosse ser minha madrinha.Se eu pudesse convidar 15 madrinhas, ela certamente estaria entre elas. Mas só quero convidar oito. Acho que ela tem uma consideração maior por mim do que tenho por ela. Não sei. É melhor eu convidá-la. Ela nunca entenderia o porquê de não ser chamada.”

“Meu irmão vai ser meu padrinho. Mas não quero chamar minha cunhada porque nós não somos próximas. Eles namoram há dois anos, mas vivem indo e vindo. Acho que nem vai durar. Mas ele confessou que ficaria ofendido se apenas ele fosse convidado e minha mãe acha que seria mesmo uma desfeita.”

Quanto vale seu padrinho de casamento? Vale não comprar uma briga? Vale não chatear alguém que você goste muito? Vale estreitar uma amizade? Vale não causar uma polêmica? Vale não ser visto como insensível? Vale ser mal compreendido?

Parece fácil escolher um padrinho de casamento até começarmos a medir os impactos que as nossas escolhas podem causar nos outros. E ao mensurarmos esses impactos, fazemos uma concessão aqui, outra ali.E, quando nos damos conta, nossos padrinhos foram involuntariamente escolhidos.

E aí vem a dúvida, somos nós mesmo que fazemos essa escolha ou é o receio de frustrar alguém, o instinto de ceder a um capricho ou o querer atender à expectativa de quem se gosta?

Ouvi de um amigo certa vez que uma festa de casamento pode gerar mais frustrações que alegrias. E é verdade! Podemos frustrar um amigo por não convidá-lo para ser nosso padrinho de casamento ou uma amiga porque foi chamada para ser dama de honra e esperava ser madrinha ou a nós mesmos por deixarmos de convidar alguém que gostaríamos para agradar os outros.

Para mim, convidar ou não uma amiga não muda o que eu sinto por ela e nem aumenta ou diminui o espaço que tem em minha vida. Mas, para muita gente, o convite pode intensificar um sentimento, estreitar um laço, consolidar uma opinião. Talvez o valor de um padrinho esteja superestimado.

E é isso que dificulta essa escolha. É como montar um quebra-cabeça sem certo ou errado, onde mais de uma peça pode ser encaixada na mesma posição, mas a combinação delas pode gerar desconforto e frustração.

Para alguns, a melhor combinação é a que gera o menor desconforto possível. Para outros, uma concessão aqui e outra ali é até aceitável em prol da boa convivência e da política da boa vizinhança. E há quem siga pura e simplesmente o seu coração e convide quem realmente quer. Esses são minoria!

Camila Cacau

Apaixonada por Marketing e Comunicação. Acredita nas pessoas, nas amizades e em um mundo mais colaborativo. Gosta das boas reuniões com a família e os amigos e de andar pelo mundo afora. Tem entre suas paixões compartilhar poesia de rua no @vozesdacidade e conhecer novas realidades e pessoas interessantes. Acredita que a realidade é o melhor lugar para sonhar!

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